quarta-feira, 16 de abril de 2014

Entrevista Fabio Montoro

 


 

O engenheiro eletrônico Fabio Montoro, autor do livro “Telecomunicações em Edifícios”, diz que a construção civil está no início de uma revolução que vai transformar a forma em que as edificações são planejadas e erguidas.

 

Envolvido com a comemoração do aniversário de 15 anos de sua empresa, o engenheiro nos respondeu algumas perguntas sobre o assunto.

 

Que revolução é essa?

Desde a época das cavernas a construção civil vem incorporando aspectos tecnológicos relacionados à “mecânica”. Apenas recentemente, no início do século 20, quando a energia elétrica começou a ser distribuída nas cidades, um novo aspecto passou a ser considerado nos projetos das edificações: a “rede elétrica”. Agora é a vez da “rede eletrônica”, digamos assim, que está por trás dos cinemas em casa (home theater), da distribuição de áudio e vídeo, dos controles de acesso de pessoas e veículos, da Internet e da automação de dispositivos elétricos. A partir de algum momento no século passado, uma edificação sem projeto da rede elétrica passou a ser inconcebível e, logo em seguida, esse projeto passou a ser legalmente obrigatório. Em breve será inaceitável que uma edificação seja erguida sem o projeto da “rede eletrônica”, que incorpora recursos de comunicação interna e automação.

 

Mas isso já não está acontecendo há algum tempo com as redes telefônicas e as redes lógicas internas?

Sim, toda revolução começa com levantes isolados (risos). De fato, tudo começou com rede telefônica interna simples, depois vieram as antenas e os cabos para distribuir sinal de TV, depois a rede lógica, alguns focos de distribuição de áudio foram surgindo e veio também a insurreição da automação. A insatisfação popular de não receber um bom sinal de telefonia celular em alguma edificação pode provocar explosões de insatisfação, dependendo da concentração de nomofóbicos. Agora chegou a hora de se fazer uma aliança entre esses movimentos isolados. Essa é a revolução. Um projeto integrado de tudo isso.

 

Seu último livro trata dessa revolução comportamental?

Não, o livro aborda apenas o aspecto técnico dessa revolução e é direcionado aos profissionais de arquitetura e engenharia envolvidos com projetos de edificações. O livro apresenta uma nova metodologia de projeto a qual denominei “One Shot Design”, ou projeto em um único tiro.

 

Fabio Montoro é Diretor de Tecnologia da Rhox Networking, mestre em Engenharia Elétrica pela UnB e autor do livro “Telecomunicações em Edifícios no Projeto de Arquitetura”, pela Editora Pini, São Paulo.


segunda-feira, 10 de março de 2014

Norma ABNT para cabeamento residencial






Acaba de ser publicada a primeira edição da norma brasileira para cabeamento residencial: ABNT NBR 16264:2014, que entrou em vigor a partir do dia 6 deste mês de março.


Mais uma referência (obrigatória) para os projetistas de rede interna de telecomunicações.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Vai construir sua casa? Pensou na rede interna?



Se você está planejando construir sua nova casa, nem pense em fazer isso sem contratar o projeto da rede interna de comunicação (RIC).


Isso mesmo, além dos projetos de arquitetura, fundações, hidrossanitário, instalações elétricas, ar condicionado, design de interiores e luminotécnica, temos mais um: “rede interna de comunicação” ou RIC. Consulte seu arquiteto.

Este é o assunto do artigo publicado na revista "Condomínio e Soluções". Veja o artigo na íntegra:



Utilizar o tablet conectado na rede WiFi para ganhar a Internet, é apenas um dos aspectos da rede interna da residência. Esse mesmo tablet pode controlar a automação e salvar fotos e vídeos em dispositivos de armazenamento da casa.

A metodologia de projeto que tenho discutido neste blog ajuda ao profissional criar uma visão global da questão 


domingo, 27 de outubro de 2013

Rack para concentrar cabeamento





Figura 1: Racks de cabeamento e servidores



O rack apropriado para montagem de cabeamento deve ser aberto e possuir espaço nas duas laterais para acomodar os cordões de manobra (patch cords).


A figura 1 mostra um exemplo de como devem ser os racks para cabeamento. 

Os dois racks da esquerda conseguem acomodar os cabos em suas laterais, de forma organizada e sem oferecer risco de acidente ou dano às portas dos equipamentos.


A figura 2 mostra o que não deve ser feito.
 




Figura 2: Rack inadequado para cabeamento



O rack é um elemento importante no sistema de cabeamento da edificação. Investir em um bom rack é fundamental.



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Cabeamento Categoria 8



Figura 1: Conector GG45 - Nexans

Sem dúvidas, hoje, o cabeamento em par trançado de cobre, categorizado, é a base da infraestrutura das redes internas nas edificações.

As duas organizações que exercem maior influência internacionalmente, com suas normas sobre cabeamento estruturado, são a ISO/IEC e a TIA. A primeira na Europa e a segunda nos Estados Unidos. Aqui no Brasil a ABNT tende a seguir a ISO/IEC.

A ISO/IEC define Classes de cabeamento e a TIA define Categorias. A tabela 1 mostra as que já foram publicadas, incluindo a posição da norma brasileira NBR-14565.



Categoria
TIA-568
Classe
ISO-11801
Banda
[MHz]
TIA
ISO
NBR
Blindagem

-
A
0,1
-
sim
sim
UTP

-
B
1
-
sim
sim
UTP

3
C
16
sim
sim
sim
UTP

5e
D
100
sim
sim
sim
UTP

F/UTP

6
E
250
sim
sim
sim
UTP

F/UTP

6A
EA
500
sim
sim
-
UTP

F/UTP

7
F
600
-
sim
sim
F/FTP

S/FTP

7A
FA
1000
-
sim
-
S/FTP

Tabela 1: Categoria de cabos com 4 pares de cobre trançados


O subcomitê TR-42.7 da TIA (estuda cabeamento em cobre) aprovou, em reunião no final do ano passado, que o nome do próximo sistema de cabeamento em par trançado, com o objetivo de suportar 40 Gbps,  será “Categoria 8” e será publicada como Adendo 1 da TIA-568-C.2.

Ao mesmo tempo, no cenário dos equipamentos ativos, uma força tarefa da IEEE tem a missão de definir o padrão 40GbaseT, a ser publicado como a norma 802.3bq (40 Gbps em 30 m de cabo de cobre).

Os dois trabalhos, do passivo e do ativo, correm em paralelo, mas nada foi definido, além dos nomes. Há que se definir a codificação de linha, o baud rate, entre outros aspectos. 

A transmissão nessa taxa é extremamente difícil e crítica para a base de conhecimento atual, entretanto o padrão em 40 Gbps se faz necessário principalmente para os Data Centers onde a eficiência é fundamental. Há uma linha de pensamento sugerindo que o comprimento do enlace fixo seja de 26 metros e o canal tenha no máximo 30 metros, considerando dois patch cords de dois metros. Esse comprimento tem uma explicação: é o suficiente para atender o cabeamento entre o switch central instalado no final do corredor (EoR = End of Row) e o switch no rack mais distante (ToR = Top of Rack). Considerando no máximo 20 racks no corredor, três metros de subida e três de descida, chega-se aos 26 metros.

Outra discussão que vai longe é a especificação do conector para 40 Gbps. A figura 1 ilustra um sistema de conectores GG-45, categoria 7A, lançado pela Nexans para suportar 40 Gbps.

Dessa forma, para um Data Center não seria preciso mais do que 30 metros de canal, o que pode viabilizar a norma e economizar energia, já que o transmissor só precisaria atingir 30 metros e não 100.

A ISO/IEC também está preparando a nova revisão de sua norma e há um esforço em alinhar as duas vertentes: ISO/IEC e TIA. Como são duas organizações essa denominação pode gerar um bocado de confusão, a tomar por base os trabalhos iniciais da TIA que especifica parâmetros de desempenho para a categoria 8 inferiores aos da categoria 7A.


A meta do IEEE é publicar o padrão em fevereiro de 2016. Antes disso não há como dizer se algum sistema passivo vai suportar o novo padrão. É preciso cuidado ao se afirmar que um sistema passivo suporta 40 Gbps, uma vez que a caracterização do sinal e a especificação da interface física ainda não estão padronizadas. Então é preciso citar a qual interface está se referindo, já que alguns fabricantes de ativos já possuem suas soluções proprietárias.