sábado, 28 de julho de 2012

Concretagem e aterramento


         No planejamento de uma nova edificação, é fundamental que se considere a contratação de dois projetos: Arquitetura e Telecomunicações.

         Nos dias de hoje é inadmissível que qualquer edificação, por mais simples que seja, inicie sua construção sem o projeto de telecomunicações internas.

         Há vários argumentos que sustentam esta opinião. Vamos falar de um deles: o aterramento elétrico.

         Os profissionais da construção civil entendem bem a questão do aterramento para a entrada de energia elétrica e aquele destinado ao para-raios, mas normalmente não tomam conhecimento do aterramento de telecomunicações e a razão principal é justamente a falta do projeto de telecomunicações.

         O aterramento de telecomunicações, parte do projeto de telecomunicações internas (principalmente sob a ótica OSD), é muito importante para a segurança das pessoas e equipamentos, bem como para o bom desempenho da rede interna.

         As redes internas que utilizam cabeamento blindado, e isso é uma tendência, como o cabeamento categoria 6A para dados de alta velocidade e categoria 5e blindado para áudio digital e outras aplicações, precisam de um aterramento adequado.

        Aí vem o xis do problema: o aterramento de telecomunicações já começa influenciando na execução das fundações.

         Um bom projeto pode especificar cordoalhas de cobre embutidas nos tubulões do alicerce, como ilustra a foto. 



         O lançamento e as emendas dos cabos devem ser executados antes da concretagem. Se concretar sem considerar essa questão, não tem mais jeito. Só restará acionar o departamento de jeitinhos e remendos. Então? A tarefa de casa é calcular corretamente o valor de xis!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O que é “One Shot Design”?



          É uma nova metodologia de projeto de infraestrutura de rede interna. O nome em inglês sintetiza a ideia: "projeto em um tiro único”. Esta nova metodologia considera que cada um dos projetos da metodologia tradicional, relacionados com telecomunicações, é um subsistema de um único projeto de telecomunicações integrado, visando uma instalação separada por disciplinas. Ou seja, a nova metodologia integra o que era separado (projeto) e separa o que era integrado (instalação).



          A metodologia tradicional separa os projetos de telecomunicações por sistemas: projeto de rede telefônica, projeto de automação, projeto de rede de dados, projeto de segurança eletrônica, etc, e adota uma instalação verticalizada ou por empreitada, na maioria das vezes embolada com a construção civil. Desta forma a visão geral das comunicações dentro da edificação fica prejudicada.
          A sugestão aqui é que se separe claramente as disciplinas: "Edificação" e "Telecomunicações".
         A nova metodologia tem vantagens importantes ligadas à eficiência da obra:


• Redução do tempo do projeto de telecomunicações
• Redução do custo total do projeto de telecomunicações
• Redução das inconsistências entre os subsistemas
• Maior aproveitamento da infraestrutura de encaminhamento de cabos
• Maior qualidade global (menor taxa de falha)
• Redução do custo da obra.

domingo, 17 de junho de 2012


     As comunicações dentro de uma edificação assumiram tamanha importância na vida e no trabalho das pessoas, que se tornaram um vetor fundamental na estratégia de projeto e execução da obra, com forte interferência em diversos aspectos arquitetônicos. 
     A complexidade do tema também cresceu bastante nos últimos anos. Podemos dizer que houve uma mudança de paradigma.
     O lançamento de meu segundo livro, justamente sobre esse assunto, pretende organizar as informações em torno do tema e fornecer subsídios aos arquitetos e profissionais envolvidos com as redes internas das edificações de todos os tipos.
      

     Com este blog pretendo criar um espaço onde poderemos discutir sobre essa matéria. É um meio de comunicação com meus leitores e demais profissionais interessados.

Fabio de Azevedo Montoro

sábado, 10 de março de 2012

Ajuste da estrutura de ganho

 

Ajuste da estrutura de ganho

 

Fabio Montoro

Brasília, 10 de março de 2012

 

Este artigo pode ser encarado como um procedimento técnico para “ajuste do som” em uma aplicação de som ao vivo para apresentação musical e de voz.

A estrutura de ganho é a sequência de ganhos estabelecidos nos equipamentos de áudio

 

1)     Aplicação: Ajustar os ganhos dos equipamentos envolvidos na cadeia de áudio

 

  

2)     Objetivos da estrutura de Ganho:

 

a.     Manter os controles de volume (Faders) na faixa adequada: em torno do Zero (Main Fader e Faders dos canais)

b.     Permitir boa leitura dos níveis nos indicadores:

                                                    i.     Medidor RMS (VI) indicar 0 dB

                                                   ii.     Medidor de pico (PPI) indicar + 16 dB

c.      Otimizar a relação sinal-ruído na saída do mixer

d.     Evitar distorções devido a saturações (clippings)

 

3)     Ajuste o ganho do pré-aplificador do mixer:

a.     Coloque os Faders em zero

b.     Ajuste o ganho para obter a leitura adequada

 

4)     Faixa Dinâmica (Dinamic Range – DR)

 

·       É a diferença entre o maior e o menor nível de sinal que pode ocorrer no equipamento durante sua operação. É importante determinar a DR do mixer:

·       O limite inferior é o valor RMS do ruído residual do mixer quando nenhum sinal estiver sendo aplicado.

·       A relação sinal-ruído é a diferença entre o nível do sinal e o nível do ruído residual

        

5)     Os picos do sinal na saída do mixer devem ficar perto do limite superior da DR: 28 dBu (esperado). Uma margem em torno de 24 dB entre o valor RMS do sinal e o topo da DR deve ser reservada para acomodar os picos e evitar saturação. Então o sinal RMS deve ficar em 4 dBu.

 

6)     Determine a Faixa Dinâmica (DR) do mixer

 

a.     Determine o nível máximo de saída do mixer:

 

                               i.     Zera o ganho do pré-amplificador;

                              ii.     Posiciona o Fader de canal em -10 dB;

                             iii.     Posiciona o Main em -3 dB;

                             iv.     Injeta um sinal de 1000 Hz @ -15 dBu;

                                        1.     Eleva o ganho do pré-amplificador até clipar, volta um pouco;

                                        2.     Eleva o ganho do Fader até saturar, volta um pouco;

                                        3.     Eleva o ganho do Main até saturar, volta um pouco;

                                        4.     Mede a saída com um multímetro RMS. Este é o valor máximo do Mixer. 

                                         5.     Valor esperado = +28 dBu (teto da faixa dinâmica).

 

                             v.     Alternativa com piezo tweeter (Zin = 2 kW, BW = 1 a 20 kHz): injeta um sinal de 400 Hz @ -15 dBu;

1.     Utilizar um cabo de sangria para o piezo tweeter

 

 b.     Determine o ruído residual, se houver dúvida quanto a este parâmetro:

                            i.     Mantenha os controles de volume nas posições anteriores

                           ii.     Encaixe um adaptador XLR com um resistor de 150 W, na entrada do mixer

 

               iii.     Medir o nível RMS na saída. Digamos que o nível caia para – 67 dBu. Este é o nível de ruído residual. Então, a DR será = 28 – (-67) = 95 dB

 

c.      Determine a saída do mixer com os Faders em zero:

                           i.     Reconecte o gerador de sinal com uma senóide em 400 Hz. Teste para o nível de saída dos seguintes dispositivos:

 1.    Microfone = 1 mVrms (-60 dBV)

2.     CD player = 300 mVrms (-10 dBV)

3.     iPod = 500 mVrms (-6 dBV)

4.     Mixer = 1 Vrms ( 0dBV)

 

                                             0,775 Vrms =   0     dBu = 0 dBm @ 600W

                                             1,000 Vrms = +2,2 dBu = +2,2 dBm @ 600W

                                             1,228 Vrms = +4    dBu = +4 dBm @ 600W


                         ii.     Ajuste o pré do mixer em zero

                         iii.     A saída deve ficar no valor nominal do mixer = + 4 dBu

 

7)     Se o mixer não conseguir elevar o nível da fonte sem acrescentar ruído, é sinal que a fonte está com o nível muito baixo ou o mixer não é do tipo profissional. Verificar nível da fonte e possibilidade de aumentá-lo. Um mixer profissional deve ter DR perto de 100 dB.

 

8)     Somatório de canais:

  

 a.     Deve ser deixada uma margem, que pode ser em torno de 10 dB se não houver mais informações sobre as fontes, para acomodar o somatório. Considerando “n” fontes:

b.     Para 4 dispositivos, por exemplo:


 

9)     Os demais equipamentos do restante da cadeia (processador e amplificador) devem estar com o mesmo limite superior de saturação (+ 28 dB).

a.     A entrada do processador será de +4 dBu mais margem para os picos.

b.     Sua saída deve ser na mesma faixa, ou seja, o ganho do processador deve ser regulado para 0 dB.

c.      Se o amplificador possuir ajuste de sensibilidade, observar que esteja posicionado antes da saturação.

d.     A margem para picos, citada anteriormente como sendo de 24 dB, pode variar de +18 dB a +30 dB e o técnico deve observar que tipo de programação vai ser gerada e qual a sua dinâmica para estabelecer a margem correta.

e.     Se o processador tiver um limite superior mais baixo que o mixer, pode haver saturação. As alternativas são (tente a primeira, se não atender escolha uma das demais):

                              i.     Conviver com eventuais distorções nos picos;

                             ii.     Reduzir o ganho do mixer e piorar a relação sinal-ruído;

                            iii.     Introduzir um atenuador (pad) depois do mixer. A atenuação necessária será a diferença entre os limites do mixer e do processador.

                            iv.     Reduzir a sensibilidade de entrada do processador

 

10)  Verifique o limite de saturação do amplificador:

a.     Reduza a sensibilidade de amplificador;

b.     Insira um sinal na entrada do amplificador, com o gerador senoidal;

c.      Instale um osciloscópio ou um piezo na saída do amplificador;

d.     Observe a saturação.

  

- o – o – o –

 

 

Referências:

 

Valor médio

Vp-p

dBu

Formato do sinal

0,775 Vrms

1,10

0

Senoidal

1,34

Onda triangular

5,11

Ruído gaussiano

1 Vrms

1,41

+ 2,2

Senoidal

1,73

Onda triangular

6,60

Ruído gaussiano

1,228 Vrms

1,74

+ 4

Senoidal

2,13

Onda triangular

8,10

Ruído gaussiano