terça-feira, 30 de julho de 2013

Seu condomínio possui Rede Interna de Telecomunicações?

O cenário

A falta de bons serviços de telecomunicações nas residências e empresas é um assunto constantemente levantado e debatido pelos moradores nas reuniões de condomínio, fóruns e associações, onde as discussões e dicas de alguns, com base em suas experiências pessoais, apesar de serem contribuições interessantes, não são suficientes para se formar uma opinião contundente sobre o cenário.

A questão é dinâmica. A localização do condomínio influencia fortemente na probabilidade ou até na viabilidade de um bom serviço, evidentemente, mas há, entretanto, outras componentes que também exercem forte influência.

Tenho sido consultado por moradores que buscam informações sobre qual seria a melhor operadora de serviços de telecomunicações para se contratar. Acontece que esta questão não tem uma resposta definitiva e, se tivesse, não duraria muito tempo.

Acho que posso ajudar mais se fizer um pequeno resumo técnico sobre o assunto e focar na causa do problema, ao invés de tentar eleger alguma operadora como “a melhor”.



O meio de comunicação

As comunicações chegam ao ponto de consumo (usuário) basicamente por dois meios de comunicação: cabo de comunicação ou irradiação eletromagnética. O quadro abaixo sintetiza as possibilidades e alguns exemplos entre parêntesis.
  


Uma solução via cabo tem as vantagens de ser mais confiável, mais estável e suportar velocidades maiores, porém exige mais planejamento, tem custo maior e demanda mais tempo para ser implantada.

As soluções via rádio permitem mobilidade.

A fibra óptica tem muitas vantagens em relação aos cabos de cobre. Suporta uma velocidade de transmissão muito maior e é imune a interferências eletromagnéticas e descargas atmosféricas.

A tendência tecnológica é atender as edificações (casas e prédios) via cabo de fibra óptica e os usuários móveis via 4G, para as transmissões de dados digitais, principalmente de acesso à rede Internet. Não devemos esquecer as transmissões por difusão que continuam sendo a forma mais barata de acessar o usuário.

As operadoras escolhem a opção a adotar com base em análises da relação benefício/custo. Não há como eleger “a melhor” operadora, no sentido absoluto, sem um critério objetivo.

A convergência dos serviços de telecomunicações

Há três serviços básicos de telecomunicações: Telefonia, TV e Dados.

Tradicionalmente esses serviços eram tratados de forma independente e distinta, por empresas diferentes e especializadas em cada um deles, sofrendo pressões dos grandes grupos econômicos que defendem seus interesses e muitas vezes até por força de lei: quem vende telefonia fixa não pode distribuir TV, quem vende telefonia móvel não pode vender a fixa, e assim por diante.

Com a evolução tecnológica, as informações dos três serviços migraram para o formato digital, ou seja: dados digitais. Isto significa que um mesmo equipamento pode transmitir os três serviços. Não faz mais sentido manter esses serviços separados. Além do mais, o custo seria maior.

Chama-se de “convergência das comunicações” a transformação desses três serviços, tradicionalmente independentes, em um único serviço, também conhecido como Triple Play.


O problema

Recentemente, conversando com profissionais técnicos e comerciais das operadoras em Brasília, especificamente sobre a situação do Park Way, fiquei surpreso com a posição deles, que foi praticamente unânime. Listaram os três principais problemas que desestimulam suas empresas a investir em infraestrutura para prestar os serviços.

    1) Falta de infraestrutura para telecomunicações nos condomínios
    2)  Furto de cabos e equipamentos instalados nos postes
    3)  Baixa densidade demográfica

Ao questioná-los sobre outras regiões administrativas do Distrito Federal, a resposta da falta de infraestrutura se manteve em destaque, principalmente em relação aos condomínios horizontais.

Às vezes o sinal da operadora chega à porta do condomínio, mas não tem como ser distribuído adequadamente para as unidades. Claramente a falta de infraestrutura dos condomínios é resultado da falta de projeto da rede interna de telecomunicações. É o aspecto de maior relevância, responsável por cerca de 80% do problema, mas, teoricamente, o mais fácil de resolver, já que depende exclusivamente dos moradores.

O segundo aspecto é um caso de polícia. O terceiro é circunstancial.

Esse problema é crônico em Brasília. Sem uma rede interna de telecomunicações adequada os condomínios são condenados a sofrer com serviços precários de TV a cabo, Internet, interfone, segurança, telefonia e outros.


A solução

É fazer o projeto integrado da rede interna de telecomunicações do condomínio e contratar uma instaladora de rede interna para executar. É simples assim. Por mais óbvio que possa parecer, sua importância não é de conhecimento da maioria das pessoas. Os condomínios e residências continuam sendo construídos sem projeto de telecomunicações internas, provocando sempre o mesmo problema.

Todo condomínio precisa ter uma Sala de Equipamentos de TelecomunicaçõesCER (Communication Equipment Room). Esta sala serve para acomodar os recursos de telefonia, dados, vídeo, automação, etc, formados por quadros de distribuição, rack, painéis de manobra e equipamentos.

Houve uma mudança de paradigma no que se refere ao projeto das instalações de telecomunicações no interior dos prédios e condomínios, causada pela mudança de comportamento das pessoas e corporações em relação às comunicações, recursos multimídia e automação.

Atualmente é fundamental que se faça um projeto da rede interna do condomínio e das também unidades autônomas e que esse projeto seja integrado, contemplando os doze subsistemas, que são:

1)           Telefonia
2)           Rede de dados de computadores
3)           Interfone, sinalização e chamada
4)           CATV (TV aberta e a cabo)
5)           CFTV (circuito fechado de TV, gestão visual e segurança)
6)           Rede sem fio (wireless)
7)           Controle de acesso, intrusão e alarme
8)           Detecção e alarme de incêndio
9)           Sonorização do ambiente
10)       Controle de temperatura e umidade
11)       Controle de energia elétrica (automação)
12)       Captação e roteamento de áudio

A questão chave é: “projeto integrado da rede interna”. Além de evitar os problemas citados, pode valorizar o imóvel em até 20%. É preciso desmistificar. Isto não é luxo. É investimento e qualidade. É recomendável que o síndico inclua esta questão na pauta.

Uma das formas de se executar o projeto é utilizando a metodologia “One Shot Design”, OSD, específica para infraestrutura de rede interna de telecomunicações.

A utilização da metodologia OSD aumenta a eficiência da obra e é um bom exemplo de que a qualidade pode operar a favor da redução de custos.


Conheça a rede do seu condomínio

Conheça a rede interna de telecomunicações do seu condomínio. Peça ao síndico para fazer um tour e verifique alguns pontos básicos:

  1. Há uma Sala de Equipamentos de TelecomunicaçõesCER ?
  2. Há um sistema de encaminhamento de cabos adequado para atender telefonia, CATV, Internet, CFTV, rede wireless e outros subsistemas, de um ponto central (Sala de Equipamentos) no condomínio, para todas as unidades?
  3. Há um cabeamento de rede adequado de um ponto central (Sala de Equipamentos) para todas as unidades? (Cabo de telefonia, cabo de rede, cabo coaxial para CATV,...)
  4. O quadro de entrada dos cabos telefônicos é organizado? Possui espaço para ampliação? É seguro?
  5.  A distribuição dos cabos telefônicos para as unidades permite ampliação?
  6. Como está a fiação da central de interfonia? Organizada? Há um bloco de distribuição?
  7. Como está o cabeamento dos sensores de presença?
  8. O servidor de gravação do CFTV está em local adequado e seguro? E o cabeamento?
  9. Existe um aterramento de telecomunicações adequado?



Estas são apenas algumas perguntas que se poderia fazer sobre a infraestrutura interna do condomínio, mas as respostas às cinco primeiras são fundamentais para se avaliar se o condomínio tem condições de receber um bom serviço de telecomunicações.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Editora PINI lança a 2ª edição do livro "Telecomunicações em Edifícios"


  A editora Pini lançou a segunda edição do livro “Telecomunicações em Edifícios”:
        Houve acréscimo de conteúdo, principalmente nos capítulos 1 e 11, além de uma revisão geral, passando de 264 para 294 páginas.
        A metodologia OSD foi melhor caracterizada.

        A tabela de símbolos para as plantas de projeto (Figura 11.5) foi atualizada. Os interessados em receber o arquivo da tabela podem solicitar pelos “comentários”, entrar em contato comigo ou baixar do slideshare:

domingo, 23 de junho de 2013

OSD e o subsistema de áudio

            O subsistema de áudio também deve ser contemplado no projeto OSD (One Shot Design). Mas o que vem a ser exatamente o subsistema de áudio?
            Na verdade a metodologia OSD aponta dois subsistemas distintos que tratam a questão do áudio:

        1)    Sonorização ambiental
        2)    Roteamento de áudio

            A razão é que são dois aspectos distintos em uma edificação.
            O primeiro é mais simples, mais comum e bem conhecido. Trata da sonorização dos ambientes para oferecer musica de fundo, reforço em auditórios, chamadas e avisos. Normalmente se define um cabeamento que distribui o áudio com potência para alimentar os sonofletores. Pode ser mono ou estéreo, dependendo do projeto que também definirá a impedância da linha e eventuais controles de volume. Tem relação com a questão acústica.
            A aplicação vai desde uma pequena loja ou residência, até grandes ambientes como igrejas, hotéis, hospitais, shopping centers, aeroportos e outros.
            Neste caso a solução mais comum é a aplicação de cabos paralelos para transportar o sinal elétrico na saída dos amplificadores de potência até os sonofletores. O projeto é importante para definir o encaminhamento de cabos e as posições adequadas dos sonofletores.
            Por outro lado, o roteamento de áudio trata de sinais de áudio no formato digital, que podem circular por uma rede Ethernet, por exemplo.
            Os dois sistemas serão projetados com a integração em mente. O sistema de roteamento nada mais é do que um recurso que permitirá captar áudio em diversos lugares e entregá-los em outros, podendo o sistema de sonorização ser um dos destinos.
            O roteamento de áudio utilizará os cabos de rede convencionais, podendo formar uma rede independente ou utilizar a rede Ethernet geral, decisão que o projetista deve tomar em função do ambiente. A utilização intensiva de áudio normalmente exige uma rede independente a fim de evitar atrasos e variações no tempo de transmissão, que podem comprometer o resultado final. Em um auditório grande, por exemplo, a quantidade de canais de áudio indo do palco até a mesa de mixagem e vice-versa exige uma rede independente.
  


             O roteamento de áudio já não é tão conhecido dos arquitetos e profissionais de cabeamento e, por este motivo, merece uma atenção especial. Este subsistema oferece uma grande flexibilidade à edificação que pode ficar livre de reformas inconvenientes, caso seja necessário levar algum sinal de áudio de um ponto a outro.
            Atualmente há diversos protocolos de áudio digital, como o Ethersound, A-Net, AES-50 e Cobranet, por exemplo, que podem ser utilizados na infraestrutura de cabeamento da edificação.

            O roteamento de áudio, aliado a um sistema de sonorização ambiente garante um diferencial importante à edificação, quando contemplados no projeto integrado. Ambientes como um pequeno auditório, uma sala de reuniões, uma lanchonete, ambientes externos, sala de treinamento, e outros, podem ser contemplados com terminações de roteamento de áudio. 

domingo, 19 de maio de 2013

CFTV e o projeto OSD




       Que o subsistema CFTV deve ser contemplado no projeto OSD (One Shot Design), é fato. Mas como?
      Como escolher a tecnologia e o posicionamento das câmeras?
   CFTV não é um projeto que deve ser executado por um especialista?

      Estas perguntas se justificam, uma vez que a metodologia OSD é recente e se propõe a dar suporte a todas as comunicações internas da edificação, incluindo o CFTV, é claro.
      O projeto OSD traz ganhos de qualidade e eficiência pela visão geral dos subsistemas e o relacionamento entre eles, mas traz também um aumento na complexidade do projeto.
      Da mesma forma que um projetista de cabeamento estruturado tradicional não precisa entender detalhadamente como funciona a interface de rede Ethernet, o projetista OSD não precisa ser um especialista em CFTV a ponto de conhecer detalhes das câmeras, sistemas de gravação, softwares e configurações. Ele precisa conhecer apenas os princípios básicos de CFTV, como resolução e definição de imagem, iluminação, tipos de câmeras e as técnicas de posicionamento de câmeras.
     Quanto à tecnologia, a escolha basicamente será focada no tipo do cabeamento a utilizar: UTP, F/UTP (blindado), fibra óptica ou coaxial.
   A padronização do cabeamento em par trançado de cobre facilitou muito as coisas. Um cabeamento estruturado em cobre também atende aos sistemas analógicos por meio do uso de baluns, a decisão praticamente fica em cima do cabo UTP, a menos que algum requisito especial justifique utilizar cabo blindado ou fibra óptica. Resta ao projetista então escolher a categoria do cabeamento.
    Quanto ao posicionamento das câmeras, o projetista fará as escolhas partindo do entendimento do negócio do cliente e seus requisitos de segurança.
    A maioria das perguntas, consideradas fundamentais para o projeto CFTV, não precisam ser respondidas pelo projetista OSD, tais como: qual tipo de câmera, como será feita a gravação, se será utilizada análise de vídeo, qual será o software, etc, se ele estiver envolvido apenas na infraestrutura de cabeamento.
   O projetista OSD deve considerar que o subsistema será montado com câmeras cujas características ópticas são normais, ou seja, são equipadas com objetivas normais (nem grande angular, nem teleobjetiva).  
    Esta premissa levará a um projeto adequado, mantendo a possibilidade de utilizar câmeras com objetivas especiais. Obviamente o projetista pode prever alguns pontos especiais, por exemplo, para instalar câmeras com objetivas do tipo olho-de-peixe, em função dos requisitos do negócio do cliente.
    São quatro as premissas básicas para se posicionar uma câmera:
a)     Cobrir as fronteiras de acesso de pessoas e veículos;
b)    Cobrir os bens de valor;
c)     Cobrir as áreas que demandam segurança e necessidade de conferir comportamentos;
d)    Cobrir os cenários a serem gerenciados visualmente.

      A partir das premissas básicas, da avaliação da iluminação dos cenários e dos requisitos de definição das imagens, o projetista demarca os pontos.
   Como em qualquer tipo de projeto, apesar de seguir os requisitos do proprietário, há projetistas com postura mais conservadora que outros. A questão da prioridade também sofre certa influência do estilo do projetista, que pode enfatizar a flexibilidade ou o custo. Por exemplo, mais pontos de rede para câmeras dá mais flexibilidade, porém sobe o custo. Um aspecto importante a considerar nessa relação entre flexibilidade e custo é a tolerância do negócio a obras invasivas, como seria o caso da adição de pontos de rede.
      Outro aspecto a ser avaliado é a possibilidade da instalação de câmeras embutidas que podem exigir adequações especiais na estrutura da edificação, cujo trabalho deve ser conduzido em conjunto com o arquiteto responsável.
    Uma vez definidos esses pontos, as próximas etapas do processo do projeto CFTV podem ser executadas por outro profissional. Entretanto, um projetista mais completo será capaz de executar o trabalho inteiro.
       Portanto, o subsistema CFTV estará contemplado no projeto OSD como pontos do sistema de cabeamento, destinados à instalação de câmeras.



segunda-feira, 6 de maio de 2013

A Rede Interna e o Switch (tutorial)


            A rede interna de telecomunicações é formada por todos os recursos tecnológicos que possibilitam a comunicação entre dois dispositivos em pontos distintos da edificação, segundo o conceito de projeto integrado “One Shot Design”.
            Exemplos:
a)     Entre uma tomada de rede na parede e o servidor de e-mail da empresa há um conjunto de recursos que permitem que o computador a ela conectado se comunique com o servidor de e-mail;
b)    Entre um aparelho telefônico e a central telefônica (PABX);
c)     Entre um alto-falante e um dispositivo que está gerando uma programação de áudio;
d)    Entre um sensor de presença e a central de alarme;
e)     Entre o conector onde está ligada a TV e a antena;
f)      Entre um dispositivo acessando a rede wireless e a Internet;
g)     Entre um acionador de iluminação e a central de automação.

Neste artigo, vamos ver uma dos aspectos da transmissão na rede interna: a transmissão digital utilizando o protocolo Ethernet.
Após o advento do cabeamento estruturado, intensificou-se a tendência em unificar as comunicações internas em torno de um único tipo de equipamento transmissor que, por sua vez, utilizaria um único tipo de cabeamento.
            A tendência tomou forma quando houve, por volta de 1980, a mudança de paradigma decorrente do surgimento de algoritmos matemáticos que permitiram a digitalização da voz em banda digital estreita, a ponto de ser transmitida sob a forma digital por um modem de linha telefônica, que opera ocupando uma banda de apenas 2700 Hz (http://www.slideshare.net/FabioMontoro/modem-fabio-montoro).
            Mais alguns passos a partir daí, levaram ao surgimento da transmissão prática da voz digitalizada em longas distâncias. Primeiramente sob o protocolo Frame Relay e posteriormente sob o protocolo IP, hoje conhecido como VoIP (Voice over IP).
            O ano de 1980 também foi o marco de outro acontecimento importante nas comunicações internas: o lançamento do protocolo Ethernet. No capítulo 1 do livro há um resumo dessa evolução:

            O protocolo Ethernet foi criado para transmitir dados digitais em redes internas, em alta velocidade, entre diversos pontos da edificação.
            O surgimento do protocolo Ethernet e a possibilidade dele transmitir também a voz digitalizada indicavam que no mundo da rede interna tudo estava se tornando digital. Assim surgiu o sistema de cabeamento estruturado com a proposta de suportar dados, voz e, por que não, vídeo.
            Então, transmitir dados digitais da rede interna passou a ser uma questão importantíssima e o protocolo que venceu essa parada foi o Ethernet, cuja transmissão é feita por pacotes de bits de dados.
            Hoje, o equipamento responsável pela transmissão dos dados Ethernet entre os diversos pontos da rede interna é o “Switch”. A figura mostra o painel frontal de um switch com 48 portas em conectores RJ45.



            Não há uma rede interna que não tenha pelo menos um switch.
            O nome do equipamento é o mesmo da função que ele executa, ou seja, o equipamento faz a comutação (switching) de pacotes entre suas diversas portas.
            Na rede interna, cada equipamento que operar segundo o protocolo Ethernet deve estar conectado, fisicamente ou via wireless, a uma porta de switch.
            Os equipamentos da rede interna que funcionam segundo o protocolo Ethernet, o fazem enviando pacotes de dados aos destinos desejados. Cada pacote que chega ao switch possui dois endereços: “remetente” e “destinatário” (endereços Ethernet).
            Então, o switch deve saber em que porta está conectado cada equipamento da rede para enviar os pacotes a ele endereçados.
            Ao ser energizado pela primeira vez na rede, o switch ainda não sabe quem está em cada porta. Quando recebe um pacote sem saber onde está o destinatário o switch o transmite em todas as suas portas, menos na que recebeu, pois é justamente aí que está o remetente. Como pelo protocolo Ethernet o dispositivo somente pega o pacote que estiver endereçado a ele, os demais pacotes eventualmente recebidos serão descartados.
            Ao receber um pacote o switch lê o endereço do remetente e descobre que ele está ligado naquela porta. Assim o switch vai montando uma tabela que relaciona o endereço Ethernet de cada dispositivo a uma de suas portas. É questão de pouco tempo. Logo o switch saberá onde está cada dispositivo e só enviará os pacotes destinados a ele naquela porta.
Dessa forma, se um dispositivo for desconectado de uma porta do switch e conectado em outra, basta ele transmitir o primeiro pacote que o switch saberá onde ele está.
As principais características dos switches são:
a)     A quantidade de portas: 4, 8, 16, 24, 48, ...
b)    A velocidade de cada porta: 10 Mbps, 100 Mbps, 1000 Mbps, ...
c)     O tipo de cabo que deve ser conectado a cada porta: par trançado de cobre, cabo de fibra óptica multimodo, cabo de fibra óptica monomodo, ...

Qualquer equipamento da rede interna que operar segundo o protocolo Ethernet deverá ser ligado a um switch, mas nem todos os equipamentos “falam” o protocolo Ethernet. Por exemplo, temos os sensores de automação e intrusão, a distribuição analógica de vídeo por cabo coaxial (sinal de TV), a distribuição analógica de áudio (sonorização ambiental), além de equipamentos digitais que utilizam outros protocolos.
            O cabeamento estruturado tradicional é estrutura que estabelece canais de comunicação bem especificados para transmissões digitais que podem utilizar o protocolo Ethernet ou qualquer outro que suporte os padrões definidos nas normas e conhecidos por categorias (categoria 5e, categoria 6, etc) e também para transmissões analógicas que consigam operar nessas categorias. O cabeamento estruturado, entretanto, não contempla os demais cabeamentos, os quais são tratados pelo projeto integrado One Shot Design.
            O switch é, portanto, o principal equipamento ativo responsável pelas transmissões e pelo correto encaminhamento dos pacotes de dados entre os dispositivos usuários da rede interna.

sábado, 27 de abril de 2013

Rhox promove mais um Café com Tecnologia


           Nesta edição o tema foi Comunicações Corporativas Convergentes, Eficientes e Flexíveis.



            A Rhox Networking, integrador autorizado da Alcatel-Lucent, recebeu o palestrante Rodrigo Pivetti que, em uma excelente apresentação, mostrou quais são as tendências para as redes corporativas, discutiu aspectos como mobilidade e BYOD e explicou por que a Alcatel-Lucent, dona do Bell Labs, é um fabricante líder em soluções inovadoras.
            Pivetti mostrou que as soluções da Alcatel-Lucent vão além da rede interna, suprindo as necessidades atuais das comunicações corporativas e apresentou os principais produtos como o Open Touch, os terminais telefônicos e os aplicativos para smartphones e tablets. 



domingo, 7 de abril de 2013

Como comprar serviços de rede interna


O assunto é tão antigo quanto a história da humanidade. Os poderosos sempre contrataram engenheiros para erguer seus palácios e construir suas armas de guerra. Que critério eles usavam?

Aqui tratamos de rede interna, mas obviamente este assunto poderia estar relacionado à compra de qualquer outro serviço especializado (qual serviço não é especializado?).

E a pergunta roda: como você escolheria? O mais barato? O primeiro que aparecer? O melhor? Alguma combinação dos anteriores?

As duas primeiras opções são objetivas. As demais são complexas e aparentemente subjetivas, se refletirmos um pouco. Como medir e decidir pela melhor oferta? Qual a melhor combinação de requisitos?

O governo tem esse abacaxi para descascar, vigiado pela pressão popular em prol da transparência. Os servidores públicos envolvidos no processo tem a responsabilidade de demonstrar que estão contratando a melhor opção.

O senso comum de que o serviço de menor preço é o mais barato pode ser uma armadilha. Aliás, frequentemente somos traídos pelo senso comum, que nos induz a dar respostas imediatas, as quais nos parecem óbvias, a certas perguntas. O professor Duncan Watts, pesquisador do Yahoo sobre redes sociais e comportamento coletivo e autor do livro “Tudo é Óbvio Desde que Você Saiba a Resposta”, prova que o senso comum e o conhecimento de história e fatos semelhantes ocorridos, nos fazem falsamente crer que entendemos um determinado comportamento humano.

Há um senso comum de que o menor preço é a forma mais barata de comprar e há também o conhecido ditado popular de que o barato sai caro. Afinal, onde está a verdade?

Segundo Aristóteles, a virtude está no meio termo. Baseado nisto, diríamos que devemos evitar comprar por valor muito baixo ou muito alto. Algum ponto entre esses dois extremos seria a melhor escolha. Bem, mas qual será o melhor critério para se chegar ao resultado ideal?

O governo brasileiro adotou o menor preço por processo recursivo de lances (ou seja, o pregão) como regra para comprar serviços de engenharia de rede interna, classificando-os como serviços comuns.

Sem entrar no mérito se serviços de TIC são serviços de engenharia ou o que diferencia o serviço comum do especializado, me parece que há um forte vetor cultural que levou Brasil e Estados Unidos a tomaram caminhos opostos na filosofia da compra: o governo brasileiro escolhe o fornecedor por processo recorrente, visando menor preço, com finalização aleatória (pregão eletrônico) e os Estados Unidos escolhe o fornecedor pela competência e depois negocia preço.

Como exemplo, no Brasil a IN-04, Instrução Normativa do Ministério do Planejamento, que dispõe sobre o processo de contratação de soluções de Tecnologia da Informação, recomenda a contratação por meio de pregão, preferencialmente eletrônico, justificando que há uma suposta padronização no mercado de Tecnologia da Informação. Não sei de onde tiraram essa ideia, mas minha experiência diz o oposto: a rede interna desenhada para atender cada caso é o melhor caminho para se chegar à solução de menor custo. É de arrepiar os cabelos de quem obteve o título de projetista CCDA ou CCDP da Cisco Systems ou leu “Top-Down Network Design” da professora e projetista de redes de comunicação de dados há mais de 30 anos, Priscilla Oppenheimer. Esses profissionais aprenderam que o projeto e a instalação da rede devem estar alinhados com o negócio do cliente. Se o entendimento preponderante for o de que toda rede é igual, então haverá um nivelamento por baixo, já que o critério é preço recursivo, consequentemente expurgando as melhores soluções. Aí sim, o barato pode sair caro.

Nos Estados Unidos, a Lei Federal 92-582, que regula a seleção de empresas de arquitetura e engenharia para prestação de serviços ao Governo Federal, diz que a empresa mais qualificada (highest qualified) deve ser inicialmente escolhida e, em seguida, o preço final deve ser negociado, razoável e justo. Caso não chegue a bom termo no preço, aí então chama a segunda mais qualificada e assim por diante.

Deve-se ter em mente que a capacitação tem um custo, assim como o tempo de resposta, a taxa de falha, a disponibilidade, para citar apenas alguns aspectos.
Sendo assim, vale refletir sobre o significado de "caro", adotar um critério de escolha alinhado com o negócio, focar no  objetivo e priorizar fornecedores competentes.